O que é antropomorfismo?

Você sabe O que é antropomorfismo? A palavra antropomorfismo vem do grego é a junção de dois termos, antropo (homem) e (morphe) formas. Vamos entender melhor?

A palavra antropo é entendida como ser humano, seja homem ou mulher e serve para distinguir de todas as  outras espécies, como animais, Cristo, plantas.

Já Morphe, é a forma como a pessoa ou as coisas é percebida pela visão, ou seja, as visões externas, juntas formam a forma humana.

O antropomorfismo atribui características a natureza não humana, como sentimentos, emoções, pensamentos e até mesmo, a própria estrutura física. As ações humanas e o comportamento são atribuídos a objetos inanimados e seres irracionais, como animais.

Esopo
Esopo

Afinal, como surgiu o antropomorfismo?

No ano de 621 a.C -564 a.C, um fabulista grego chamado Esopo foi o primeiro a trazer o antropomorfismo em sua prática, não esquecendo que foi o primeiro a criar historias de teor fabulista, nas fábulas de Esopo os animais representavam o papel do próprio homem, mas viviam os seus dramas normais do dia a dia, os animais eram os próprios protagonistas, tinham emoções, sentimentos, ações, e até mesmo falas.

Abaixo estão algumas das importantes obras de Esopo:

  • A raposa e o Corvo
  • Os viajantes e o Urso
  • As rãs que pediam ao rei
  • O Leão e o Rato
  • O lobo e o Cordeiro
  • A cigarra e a Formiga
  • A lebre e a tartaruga

Dentre outras obras de grande sucesso, sucesso esse que influenciou outros diversos escritores.

Conto Chapeuzinho Vermelho

E além das fábulas de Esopo, nos dias atuais há diversas outras que foram inseridas na literatura infantil, como os três porquinhos, a bela e a fera, Chapeuzinho Vermelho, A princesa e o Sapo, contos esses que é de grande notoriedade a presença de objetos e seres inanimados, as falas e ações são atribuídas para passar certa mensagem, seja ela moral, ou social.

A personificação é uma figura de linguagem muito atribuída nos contos, podendo ser reconhecida como prosopopéia ou animismo, a mesma está muito relacionada com o antropomorfismo, pois a arte de personificar está ligada a dar vida aos seres irracionais e inanimados.

Mas você deve estar pensando que o antropomorfismo existe apenas em fábulas, está enganado, o mesmo está presente em filmes, desenhos animados, jogos eletrônicos propagandas, esculturas, pinturas, como a estatueta homem- leão que foi criada em 32.000 a.C, considerada a primeira evidência do antropomorfismo.

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Antropomorfismo Religioso (Bíblico)

ANTROPOMORFISMO RELIGIOSO (BÍBLICO)

O termo antropomorfismo pode ser muito visto na teologia, ou seja, nas religiões, principalmente na doutrina católica, as características humanas são vistas em deuses e seres sobrenaturais criados pelo segmento, como anjos, santos, demônios, essas figuras não possuem uma forma determinada como os outros seres inanimados.

Um exemplo claro desses deuses com formas humanas, é o próprio Deus, o mesmo possue corpo humano e sentimentos humanos, sentimentos esses dados pela antrotopatia, termo que veremos ao longo do texto.

Dentro da teologia o termo é de grande importância, pois auxilia no entendimento sobre o mundo espiritual, vamos ver alguns exemplos de trechos da bíblia que claramente é notado o antropomorfismo como manifestação de Deus em sua forma humana, lembrando que a bíblia são passagens de Deus escritas pelos seres humanos:

  • “Ah senhor Deus, eis que fizestes os céus e a terra com o teu grande poder, e com o teu braço estendido, nada há que te sejas demasiamente difícil.”

 (Livro profeta Jeremias 32:17)

  • “Os olhos do Senhor voltam-se para os justos e os seus ouvidos estão atentos ao seu grito de socorro.” (salmo 34:16)
  • O rosto do Senhor volta-se contra os que praticam o mal, para apagar da terra a memória deles.” (salmo 34:16)

Antropomorfismo na Mitologia

ANTROMORFISMO NA MITOLOGIA

Sabemos que a mitologia grega foi recheada de mitos, mitos representados por Deuses gregos. Os mitos foram criados para explicar fatos e acontecimentos que até então não tinham bases claras e científicas, e os mesmos eram usados para entender a realidade humana e seus fenômenos.

 O antropomorfismo esteve muito presente na era grega, pois os Deuses Gregos possuíam características idênticas a humana, sentimentos, emoções, força, e podemos entendê-lo como facilitador dos entendimentos intangíveis e não palpáveis, como na religião.

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Xenófanes e a Crítica aos Deuses Antropomorfismo

O filosofo pré-socrático Xenófanes foi um dos grandes críticos aos deuses antropomórficos, o mesmo foi considerado reformador da mitologia grega, para ele não fazia sentido que os deuses fossem baseados no antropomorfismo, ou seja, que possuíssem os mesmos formatos que os homens, para ele não havia sentido, foram os seres humanos que criaram os deuses com essas características.

É importante mencionar que ele não desacreditava da existência dos deuses e sim das nuances a qual foram criados:

“Se os bois, os cavalos e os leões tivessem mãos ou pudessem pintar e realizar as obras que os homens realizam com as mãos, os cavalos pintariam imagens dos deuses semelhantes a cavalos, os bois semelhantes aos bois, e plasmariam os corpos dos Deuses semelhantes ao aspecto que tem cada um deles.”

E para Xenófanes, Deus é uno, apenas um ser, Deus é o universo e está presente em todas as coisas, ou seja, é a própria essência, e o mesmo permanece, ou seja, não se movimenta, é os seres humanos que criaram a dinâmica de movimentação, e deus é muito superior a qualquer ser humano.

ANTROPOPATISMO

Segue a mesma linha de pensamento do antropomorfismo, enquanto o mesmo atribui formas humanas a Deus, o antropopatismo irá atribuir sentimentos humanos aos Deuses e objetos inanimados.

A palavra é derivado do grego e também representa a união de dois termos, “ antropo” (homem) e pathos (paixão). Veja um exemplo claro da atribuição de sentimentos aos Deuses: “Zeus, após vencer a guerra dos titãs, ficou super feliz com a sua conquista.”

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ZOOMORFISMO

A palavra também é a junção de dois termos “zoo” (animal) e “ morfismo” (formas), a mesma é um termo que atribui características aos seres irracionais, ou seja, os animais, e não apenas os animais, também objetos e seres humanos. O conceito é muito utilizado em literaturas, temos como exemplo: “O cortiço”, de Aluisio de Azevedo, e “ Vidas Secas”, romance de Glacilliano Ramos.

Em ambas as obras há personagens que possuem características que se aproximam dos animais.

Antropomorfismo e o Cotidiano

Às vezes não nos damos conta que o antropomorfismo está presente no cotidiano, sabe quando seu animal de estimação mostra os dentes e parece que até está sorrindo? Ou até mesmo quando ele deita e faz aquela carinha de “triste” e você acha que está pedindo comida?

São comportamentos condicionados que os mesmos observam e reproduzem de nos seres humanos.

E não podemos deixar de mencionar as carinhas das redes sociais, os famosos “emoticons” que demonstram sentimentos de nós seres humanos, como feliz, triste, animado, correndo, são representações claras do antropomorfismo.

Além desses fatos, o antropomorfismo pode ser encontrado em campanhas publicitárias, isso mesmo, o termo possue características altamente persuasivo, quer um exemplo?

“Quando um individuo vê um  rosto feliz em um anúncio e esse rosto feliz é um desenho, o mesmo fica encantado com a obra e assim é levado a comprar determinado produto.”

Outro exemplo é quando notamos um objeto mexer sem explicação lógica, fato esse sinistro, não é?

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Curiosidades

A artista Húngara Melinda Hegedus, juntou o humor, a realidade, e o antropomorfismo para ilustrar as relações de consumo dos seres humanos com os animais, ou seja, uma critica que para ela é necessária, pois o consumo da carne animal é desnecessário e ate mesmo arbitraria.

A desenhista e vegana Melinda usa o antropomorfismo para aproximar as pessoas da realidade dos animais, ou seja,  se colocar no lugar dos outros animais, mesmo que seja por alguns minutos e questionar, e se fosse eu? E se fosse todos nós?

Nas suas obras, a artista busca transmitir personagens não humanos, com traços, emoções, e ações e percepções de um ser humano racional. A mesma diz:

“Espero que olhar para esses animais antropomórficos ajude meus colegas humanos a ver que, mesmo com as diferenças anatômicas, os animais são como nós. Todos temos medo da dor e da morte, e todos tentamos evitar o sofrimento. Todos somos seres conscientes vivendo juntos neste planeta”.

Conteúdo original, não se esqueça de referenciar: Disponível em: < https://resumos.soescola.com/filosofia/antropomorfismo/ >

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