Alienação do trabalho para Marx

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A alienação do trabalho para Marx é o retrato da realidade a qual vivemos nos dias atuais, ou seja, o trabalhador que não tem acesso aos bens que ele mesmo produz todos os dias. As primeiras teorias foram expostas originalmente no ano de 1844, em Manuscritos Econômicos e Filosóficos, foram anotações próprias através de observações da realidade dos trabalhadores em fabricas Industriais.

O conceito da termologia vem do latim, “alienatico” (fora de algo, estar alheio), mas algumas concepções apontam que Marx não utilizou o significado da palavra advinda do latim, e sim do alemão (separação, estranhamento).

A teoria alienação do trabalho é um dos principais conceitos já criados pelo filósofo, conceito esse presente na realidade do século XXI, a qual o trabalhador vende sua força de trabalho no processo e no final desconhece totalmente o produto e o valor agregado a ele, ou seja, não recebe o que tem direito.

Contudo, Marx acentua que o trabalho é um fator importante para o desenvolvimento do homem, lugar esse a qual se humaniza e transforma a natureza através das suas necessidades primordiais, atividade essa que nos diferencia dos animais. A capacidade de modificação e a produção de ferramentas para a própria sobrevivência é o processo de transformação da realidade.

Em sua obra “O capital”, obra essa que contou com a ajuda de Engels, questiona os principais meios a qual a humanidade foi construída ao longo da historia através das lutas de classes (dominante e proletariado), ou seja, o desenvolvimento do ser humano desde seus primórdios e os dias atuais.

O mesmo cita:

“A historia da sociedade até aos nossos dias é a historia da luta de classes. (Marx e Engels, em o Manifesto do Partido comunista)

Marx pontua que o trabalho não é visto em prol da humanidade e dos seus interesses, e sim, para apenas um grupo especifico de pessoas, ou seja, a classe dominante, tornando-se um trabalho alienado, o trabalhador perde seu poder de liberdade e é visto como um mero produtor que vende sua força de trabalho e enriquece os grupos específicos.

Fonte: colunastortas.com.br/o-que-e-alienacao-em-marx/

OS QUATRO SENTIDOS DE ALIENAÇÃO EM MARX

Marx compreende a alienação em cinco sentidos importantes: Relação ao produto do trabalho, processo de produção, Mais- valia e grupo, relação com outros indivíduos, Processo de Retificação e o Fetichismo da Mercadoria:

  • Relação ao produto do trabalho: O trabalhador no seu processo de trabalho não se reconhece no produto final, ou seja, há um estranhamento, questionamentos, “Continuo pobre, mas os capitalistas, ou seja, a classe dominante, enriquecendo cada dia mais.” É a produção suprindo as necessidades da classe dominante, construindo assim a luta de classes, entre o proletariado e a classe dominante.

Com os trabalhos manuais, como o artesanato, o trabalhador tinha total acesso e controle da sua produção, e consciência do valor obtido no final de cada trabalho e os custos necessários, mas com a chegada das industrias e com ela a revolução industrial  isso não foi mais possível, tornando o trabalhador alienado dos meios de produção, produto esse que fica a mercê da classe burguesa, e o trabalhador  com sua força de trabalho é visto apenas como um gasto a mais dentro das industrias, juntamente com as maquinas e ferramentas, sobrando apenas, exigir o salário no fim do mês.

  • Processo de Produção: O processo de produção, conhecido também por Marx como “alienação ativa” ou “ atividade de alienação”, nada mais que o trabalhador alienado no produto final, cenário esse que ocorre durante o processo de produção, ou seja, o trabalhador enxerga o trabalho apenas como uma tarefa que deve ser cumprida todos os dias para conseguir meios de sobrevivência, um fardo, trabalha-se para viver e não o necessário.
  • Mais- Valia e Lucro: O trabalho para de ser visto como um bem essencial de meios para suprir as necessidades mais prementes do ser humano, e começa a ser visto como um garantidor de obtenção de lucro da burguesia. Para Marx, o capitalismo é sustentado através da exploração do trabalho sem precedentes, o trabalhador em sua alienação, passa a ser dono apenas da sua força de trabalho, e não do produto final, ou seja, o lucro, a matéria prima, maquinário, por conseguinte fica tudo nas mãos do capitalista.

A mais valia nada mais que é o lucro obtido na produção final, lucro esse adquirido através da transformação da matéria prima em bens de consumo, é a diferença do valor pago ao trabalhador em comparação com a sua força de trabalho, ou seja, o salário.  É o capitalista que especifica quanto vale a produção.

Processo de Retificação e o Feiticismo da Mercadoria: É nessa fase que o trabalhador torna-se semelhante às maquinas, ou até mesmo, a própria maquina, ou seja, submete os seus dias em função do trabalho e da produção perdendo sua própria identidade e ser. A própria palavra “Retificação” no seu significado original em latim, “ res”, significa “ coisa”, o processo de retificação é a perda de consciência critica do individuo e o reconhecimento como ser, gerando crises existenciais.

E através desse vazio existencial, o homem para preenchê-lo opta pelo consumismo, consumismo esse que apenas superficialmente preenche o vazio e a humanidade perdida, tornando-se um padrão de consumo.

Veja também:

A IMPORTÂNCIA DA TEORIA

A teoria mostra o quão o ser humano se torna frágil diante dos meios de produção a qual vende sua força de trabalho, ou seja, é um sujeito alienado que não consegue enxergar mudanças e alternativas para mudar os meios de produção a qual está inserido, o mesmo, não se reconhece no produto final de trabalho, ou seja, é uma e sociedade construída acerca do dinheiro, ou seja, a economia assume o papel principal e determinante de todas as coisas.

O sujeito que não se reconhece como detentor de direitos não consegue assumir responsabilidades práticas diante da sociedade e guiá-la no melhor caminho.

A alienação está intrinsecamente ligada ao capitalismo e com ele a propriedade privada, ou seja, a propriedade privada está separada do sujeito a qual a constrói, surgindo assim uma alienação do trabalho, como mesmo diz a seguinte frase de Marx: “O rei só é rei quando tem os seus súditos.”

Com isso, a teoria da alienação do trabalho veio como um despertar para a sociedade em geral, para o homem enquanto sujeito de direitos se reconhecer no produto final, e assim, poder garantir o valor digno do trabalho, coisa, que infelizmente, ainda não acontece.

Muitos ainda se sujeitam a trabalhos degradantes para conseguir o mínimo para o seu sustento, ou seja, o principal objetivo da burguesia é sempre aumentar os seus lucros, e fazer com que o trabalhador trabalhe redobrado, pelo mesmo preço.

O trabalho alienado trás a concepção cega do trabalhador, ou seja, o mesmo não reconhece a proporção do seu valor real, surge à necessidade de ocupar qualquer vaga de emprego, e a partir disso, se sujeita as regras colocadas.

 O capitalista argumenta: “Há um grupo de desempregados que desejam ocupar esses postos de trabalho.” Essa fala é vista quando o trabalhador começa a exigir melhores condições de trabalho, que para o capitalista, pode ser facilmente substituído.

O pensamento de Marx nunca foi tão atual, o mesmo trata o desemprego como a principal forma de trabalhos insalubres, mau pagamento, salários baixos, exploração, e as outras pessoas que estão esperando ocupar a vaga, Marx os chamam de “Exército reserva”

Outros artigos:

Trechos para melhor entender o pensamento:

“O trabalhador só se sente a vontade em seu tempo de folga, enquanto no trabalho se sente contrafeito. Seu trabalho não é voluntario porem imposto, é trabalho forçado.”

“O trabalhador se torna tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e extensão. O trabalhador se torna uma mercadoria tão mais barata quanto mais mercadorias cria.”

“O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem, a essência domina-o e ele adora-a.”.

“Com a valorização do mundo das coisas, aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens.”

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Para saber mais…

“O emprego” é uma curta metragem produzida por Santiago Bou Graso, em 2011, ganhou diversos prêmios nos festivais de cinema, o diretor trás reflexões sobre os processos de trabalho e a comparação entre os indivíduos e as coisas.

Conteúdo original, não se esqueça de referenciar: Disponível em: < https://resumos.soescola.com/filosofia/alienacao-do-trabalho-para-marx/ ‎‎>

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