Falácia

A palavra falácia vem do verbo latino “fallere” que significa enganar, ou seja, é tudo aquilo que através da linguagem visa levar uma enganação ao interlocutor, aquele que recebe a mensagem.

A palavra foi usada dessa maneira pelos “escolásticos” na idade media baseando-se no pensamento do filósofo Aristóteles, o mesmo já indicava na ordem do discurso um problema chamado “ Silogismo Sofistico”.

O filósofo foi o primeiro a se preocupar com a organização da linguagem pra expressar determinado argumento verdadeiro, assim, foi considerado um importante precursor da lógica clássica, uma vez que para o argumento ser verdadeiro precisa obedecer algumas variáveis para que a conclusão viesse diretamente da organização encadeada das premissas.

Tudo aquilo que Aristóteles chamou de silogismo sofistico ou escolásticos chamaram de falácia, significa que o argumento foi organizado de forma vazia, inconsistente, com erro de encadeamentos entre as premissas e a conclusão.

Por esse fato, o mesmo se torna inválido ou falho no objetivo de provar determinado argumento.

Em linhas gerais, falácia é um argumento que parece muito verdadeiro e até poderia convencer por um determinado período, mas quando é analisada e organizada as ideias, há a percepção que o argumento apresenta um erro.

Vamos analisar os principais exemplos de falácia?

Os tipos de falácias

Existem vários tipos de falácias, vamos conhecer as principais e como as mesmas influenciam em determinados discursos?

  • Argumento contra a pessoa, conhecido também como (AND HOMINEM): Essa falácia ocorre quando a argumentação é construída para atacar quem fala e não o que a pessoa fala, ou seja, atacar a pessoa que elucidou o argumento, tanto que a expressão ‘ and hominem” significa contra o homem:

Recomendamos também: Zenão e Catolicismo.

Vejamos um exemplo prático:

Exemplo 1“João morreu louco, sua vida nem deve ser levada a sério.”

Exemplo 2: “Cala a boca, você fuma.”

  • Apelo à autoridade ou (And Verecundiam ou magister dixit) É quando determinado individuo recorre uma figura de autoridade para tratar de determinado assunto, lembrando que não precisa ser exatamente aquilo que estava sendo falado para reafirmar a conclusão:

Exemplo: “Você acha que, se o cigarro fizesse mal a saúde, Freud e Sartre, por exemplo, que eram inteligentíssimos, teriam o hábito do fumo?”

  • Apelo à misericórdia (And Misericordiam) É quando alguém quer convencer outra pessoa através da emoção:

Exemplo: “Espero ter me saído bem na prova, pois passei semanas estudando essa árdua e difícil matéria. Não posso ter ido mal.”

  • Apelo à novidade (And Novitatem) Quando se dá muita importância a algo somente por ser novo, não significando que o mesmo seja melhor do que o antigo:

Exemplo: “A filosofia medieval já foi ultrapassada. Não há nada que possamos aprender com ela.”

  • Não se Segue (non sequitur) Significa que o ser humano chega a conclusões baseados em falsas causas, ou seja, quando são amarrados a acontecimentos que não se seguem um aos outros.

Exemplo: “O pais mergulhou numa crise imensa na ultima década por culpa do ultimo governo.”

  • Bola de Neve (Derrapagem ou ladeira escorregadia) Quando há o exagero em uma determinada conseqüência, o futuro é visto como algo maior que seria.

Exemplo: “Se aprovarmos a legislação da união homoafetiva, daqui a pouco estaremos aprovando a pedofilia e ate mesmo a zoofilia.”

  • Espantalho (homem de palha) Quando há a tentativa de diminuir a pessoa que está falando ou parte do discurso da mesma, ou seja, é utilizada para atacar o interlocutor:

Exemplo: “Não há de se ouvir a opinião desse senhor sobre a” escola sem partido”, já que ele defende a ideologia de gênero na educação.”

Nesse exemplo determinada pessoa exprime uma opinião sobre a escola sem partido, porém, outra pessoa entra no diálogo e deturpa a sua fala, alegando que a mesma defende a ideologia de gênero na educação.

Portanto, se uma terceira pessoa entra na fala e desconhece de todo contexto, irá pensar que a mesma defende a ideologia de gênero na educação, sendo que em nenhum momento isso foi dito.

  • Falso axioma: Quando há uma frase pronta há muito tempo e a mesma vai se consolidando na cultura e passa a ter caráter de verdade, quando no fundo a frase só foi apenas uma sentença repetida, ou seja, exprime inverdades e até mesmo verdades relativas:

Exemplo 1: “Bandido bom é bandido morto.”

Exemplo 2: “Quem não cola não sai da escola.”

Exemplo3: “Quem não estuda não vence.”

  • Falso Dilema (isto ou aquilo) É quando há duas possibilidades, mas na verdade podem existir diversas delas, não existe isto ou aquilo, ou seja, há outras opções:

Exemplo 1: “Brasil: Ame-o ou deixe-o”

Exemplo 2: Se os gastos públicos não forem reduzidos, a economia irá despencar.

Ou seja, não existem apenas essas duas alternativas, podemos simplesmente encontrar formas de mudá-lo.

  • Falácia do Escocês: São argumentos contidos em contra-argumento, assim, o argumento inicial torna-se invalido:

Exemplo: Todo brasileiro de verdade gosta de churrasco

                   Meu pai é brasileiro e não gosta de churrasco

                   Logo, seu pai não é um verdadeiro brasileiro.

A falácia pode levar a conclusões equivocadas, a qual a mesma foi levantada por Aristóteles.

Veja mais::

PARA SABER MAIS…

Além dos variados tipos de exemplos citados acima, há outros que podem ser visto de maneira rotinal nos discursos políticos ou cotidianos, vejamos algumas delas:

  • Apelo à ignorância (And Ignorantiam) Quando é sustentada uma afirmação por não conseguir provar a outra:

Exemplo: “Não há prova cientifica alguma que exista vida inteligente fora da terra, por isso não há vida inteligente fora da terra.”

Ou seja, é uma afirmação que não é possível ser contestada, pois não há provas verídicas que existe vida inteligente fora da terra.

  • Composição: A composição é usada para atribuir características próprias de um determinado elemento, ou seja, a mesma apresenta uma ambigüidade não formal, é quando um determinado fato toma o todo pela sua parte:

Exemplo: Ana é uma grande profissional do balé, assim, todo o seu time está preparado para o concerto.

Portanto, o fato de Ana ser uma grande bailarina, não significa que toda equipe se saíra bem.

  • Divisão: A divisão é oposta a falácia de composição, ou seja, a mesma da à característica do todo em apenas um elemento.

Exemplo: Franca é o melhor time de basquete do mundo, Marcelo será um ótimo jogador ali.

Assim, não basta que uma equipe seja boa para fazer com que determinado individuo seja um bom atleta.

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Conteúdo original, não se esqueça de referenciar: Disponível em: <https://resumos.soescola.com/filosofia/falacia/>

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