Empirismo

O empirismo reuniu diversos pensadores importantes que defendiam que o conhecimento é somente obtido através da experiência na prática.

A palavra vem do grego “empeiria” que significa experiência e para os empiristas a experiência é a fonte do conhecimento, ou seja, o mesmo é obtido primeiramente pela vivência para depois ser racionalizado.

Em linhas gerais, o empirismo é a filosofia que destaca a importância da sapiência na busca pelo conhecimento, mas você deve estar pensando, quais tipos de experiências os empiristas se referiam?

Os tipos de experiência

A experiência pode ser obtida de diversas formas e maneiras, podemos classificá-la em duas categorias básicas: Experiência interna e  sensorial:

  • A experiência interna pode ser conhecida através de sonhos, imaginação, emoções, raciocínio lógico, a mesma no âmbito do empirismo é refutada, pois para eles a busca pelo conhecimento existe apenas na experiência sensorial.
  • A experiência sensorial é obtida através dos sentidos: tato, paladar, olfato, visão e audição.
Os cincos sentidos

Contexto histórico

O pensamento empirista teve a sua origem a um filósofo muito famoso conhecido como Aristóteles (385 a.C-323 a.C) o mesmo se contrapunha ao pensamento de Platão (428 a.C-347 a.C) que entendia que o conhecimento era apenas obtido pelo raciocínio intelectual e já Aristóteles concebia a ideia que o saber verdadeiro é adquirido através dos sentidos e pela observação da natureza, do mundo e das coisas.

O lema do empirismo inspirado na filosofia de Aristóteles é: “Nada existe no intelecto que não tenha passado antes pelos sentidos.” Ou seja, todo conhecimento é proveniente de uma base empírica de percepções e impressões captadas pelos sentidos.

Assim, o filósofo apresenta a origem mais remota do pensamento empirista, mas foi na Inglaterra que a corrente começou a ganhar suas primeiras nuances durante o século XVII e XVIII, valorizando a experiência humana, a realidade concreta e as atividades dos indivíduos, é nessa época que o empirismo começou a se contrapor a metafísica especulativa e aos grandes sistemas teóricos.

O conceito só é bem desenvolvido na idade moderna, principalmente com dois filósofos de suma importância: Jonh Locke (1632-1704) e David Hume (1711-1716).

Vamos conhecer os seus principais pensamentos acerca do empirismo?

Principais pensadores

Jonh Locke dizia “O homem é uma tabula rasa”, e você deve estar se perguntando, o que isso que dizer? A tabula rasa era um instrumento antigo feito com material de cera que as pessoas da época utilizavam para escrever e quando apagavam os escritos a mesma se transformava em uma tabula rasa.

 Assim, Jonh Locke fez um paradoxo entre o homem e a tabula, ou seja, o homem é uma folha de papel em branco, pois nasce sem nenhum conhecimento prévio das coisas e a partir do momento em que o ser vai vivenciando e experimentando o mundo o mesmo apreende a experiência e consequentemente obtém o conhecimento.

Assim, para o pensador, a inteligência racional só vai ser obtida através da racionalização que vai processar as experiências e fazer com que o individuo chegue a uma idéia nova.

Em linhas gerais, o individuo primeiro precisa observar as coisas e utilizar os sentidos e depois processar o conhecimento no consciente e por fim estabelecer novas ideias.

O mesmo defende que a única capacidade que nasce com o ser humano é a capacidade de experimentar as coisas para depois racionalizar as mesmas.

E por último, temos David Hume, o mesmo foi um importante filósofo moderno e trouxe em suas principais concepções a importância da experiência sensível como fonte da razão e das emoções.

Para ele tudo aquilo que o homem sente e percebe dentro de si é obtido através de experiências, para David é impossível dizer que não gosta de algo sem antes mesmo ter experimentado, o ser humano passa por essa transformação e a partir da experimentação cria a sua vivência.

Essa concepção foi denominada por ele como o “Principio da causalidade”, que é a seqüência temporal de eventos as quais precisam ser observadas.

Veja também: Platonismo e Simone de Beauvoir.

Filosofia empirista

A filosofia empirista esteve fortemente ligada à criação da “Sociedade Cientifica de Londres”, fundada em 1660 e financiada pelos ricos comerciantes londrinos interessados nas possíveis aplicações técnicas desses conhecimentos obtidos para diversos fins.

Temos como exemplo o aperfeiçoamento das navegações e até mesmo os estudos da linguagem que permitiu uma melhor comunicação com os povos das novas terras e a propagação de negociações.

Racionalismo x Empirismo

Racionalismo x Empirismo

Os racionalistas acreditam que o ser humano não pode confiar nos sentidos, pois os sentidos são enganosos e levam a um conhecimento falso, o conhecimento só pode ser obtido através das ideias e da racionalidade. A corrente filosófica pode ser encontrada nas ciências exatas e no pensamento de Platão, a mesma teve como principal precursor Descartes.

Diferentemente do racionalismo o empirismo acredita na não existência das ideias inatas, o empirismo parte do principio que o conhecimento verdadeiro só é obtido através dos sentidos. Jonh Locke foi o principal representante da corrente filosófica após a publicação de sua obra “Ensaio acerca do conhecimento humano.”

Não deixe de conferir: Theodor Adorno.

Empirismo como método científico

Com a entrada da corrente empirista e com ela a busca do conhecimento através das experiências, o ser humano passou a valorizar o saber científico e com ela resultados práticos. Com essa visão, o empirismo começou a ficar cada vez mais rigoroso baseando-se em uma metodologia a qual as hipóteses e a teoria precisadamente devem ser testadas através da experiência.

Em linhas gerais, todo resultado empírico pode ser considerado uma experiência, vista nas ciências como sinônimo de experimental.

Já no âmbito da metafísica toda afirmação que tiver contida deve ser rejeitada imediatamente pelo empirismo, pois a mesma não entra no processo de experimentação.

No método cientifico a experiência é vista como geradora de valores e origem a qual delimita o conhecimento, a experiência é única e não é vista como universal, assim, a corrente rejeita outras formas de conhecimentos não cientificas como a fé, senso comum, dentre outros.

Contudo, se a experiência foi adquira é sinal que conhecemos só uma pequena parte do mundo é necessário que o ser humano esteja sempre atento as falsas ideias e teorias que não podem ser conhecidas pelos sentidos.

Outro artigo recomendado: Religião.

Para saber mais…

Todo filósofo que considera a experiência dos sentidos como uma fonte importante na busca pelo conhecimento é um empirista?

A resposta é não, temos como exemplo Descartes, que foi um grande racionalista de sua época, por exemplo, o mesmo considerava que algumas ideias são inatas, ou seja, o individuo já nasce com elas, mas por outro lado as ideias resultam dos sentidos, das experiências. Com esse pensamento não o podemos considerar empirista.

O empirista é aquele que reconhece a base sensorial como toda forma de conhecimento e a fonte para a busca de informações confiáveis sobre o mundo.

Portanto, todos os processos intelectuais e subseqüentes devem se utilizar exclusivamente dessa evidência sensorial para gerar preposições válidas a respeito do mundo.

Principais filósofos empiristas

Abaixo estão listados os principais filósofos empiristas da corrente filosófica:

  • Aristóteles (385 a.C – 323 a.C)
  • Alhazen (965 d.C -1040 d.C)
  • Avicena (980 d.C -1037)
  • David Hume (1711-1776)
  • Francis Bacon (1561-1626)
  • Guilherme de Ockham (1285-1347)
  • George Berkeley (1685-1753)
  • Hermann Von Helmholtz (1821-894)
  • Ibn Tufail (1105-1885)
  • Jonh Lock (1632-1704)
  • Jonh Stuart Mill
  • Leopold Von Ranke
  • Robert Grossetest
  • Robert Boyle

Conteúdo original, não se esqueça de referenciar: Disponível em: <https://resumos.soescola.com/filosofia/empirismo/>

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