“Um Inverno em Nova York”: uma ode à humanidade e à empatia (RESENHA DO FILME).

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“Um Inverno em Nova York“: uma ode à humanidade e à empatia (RESENHA).

Cansada de ver seu marido, o policial Richard (Esben Smed), espancar seus dois filhos, Clara (Zoe Kazan) decidiu pegar seu carro e partir com as crianças rumo à cidade de Nova York, na esperança de não ser encontrada lá. Porém, nada disso é tão fácil como o esperado. Como sobreviver sozinha com duas crianças e sem dinheiro? Felizmente, durante sua odisséia, ela encontra pessoas que a ajudam, como a enfermeira Alice (Andrea Riseborough), o gerente do restaurante Marc (Tahar Rahim) e seu amigo John Peter (Jay Baruchel) ou Jeff (Caleb Landry Jones), que está constantemente perdendo o emprego e precisa de um pouco de apoio para si mesmo.

Filmes de abertura de festivais de cinema naturalmente merecem um pouco mais de atenção. Por esse motivo, os organizadores gostam de contar com títulos que possam se orgulhar de muito destaque e também tenham qualidades para agradar ao público – afinal, o público deve olhar para muito mais coisas depois. À primeira vista, ambos parecem se aplicar a “Um Inverno em Nova York” (“The Kindness of Strangers”), que estreou no Festival Internacional de Cinema de Berlim em 2019 . A cineasta dinamarquesa Lone Scherfig trabalha com um elenco mais destacado.

“Cada pessoa que você conhece está lutando uma batalha sobre a qual você nada sabe. Seja gentil. Sempre”. A frase do cineasta italiano Carlo Mazzacurati (1956-2014) é a que melhor define o que Scherfig nos quer comunicar com o seu longa-metragem: a importância de nos ajudarmos. Os protagonistas da história estendem as mãos sem nenhum ganho pessoal, conseguindo assim disparar um mecanismo que, inesperadamente, vai melhorar a vida de todos. Quem se apaixona, quem finalmente consegue mudar de vida e quem se afirma profissionalmente. A cineasta consegue construir personagens cheios de humanidade e é inevitável sentir uma forte empatia pela sua condição enquanto assiste ao filme. O filme aborda, entre outras coisas, uma questão muito atual: a violência contra mulheres e crianças e a importância de, apesar das dificuldades, ter coragem e denunciar os abusos às autoridades.

Somente ao retratar o sofrimento que Clara passa pela vida de casada o filme desenvolve um efeito melodramático imediato – justamente porque esse sofrimento é retratado e não apenas relatado por ele. O retrato não é uma representação direta, o filme não traz nenhum flashback das agressões psicológicas e físicas cometidas, mas esse sofrimento só aparece na forma das feridas e da devastação que deixou. O comportamento muitas vezes inexperiente de Clara e seu sentimentalismo diante de impressões muito discretas tornam tangíveis as privações e a falta de liberdade a que ela deve ter sido exposta por muito tempo. Contudo, o filme celebra a bondade humana quase continuamente, desdobrando um efeito comovente. Assim como nos momentos solitários – quando o filme realmente mostra o que acontece quando as pessoas negam essa bondade umas às outras.

“Um Inverno em Nova York” está disponível no catálogo da Netflix.


Escrito por:

Estudante de bacharel em Letras pela Faculdade Estácio, futuro revisor profissional, ávido leitor, amante da língua portuguesa e apaixonado música e cinema.

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